Existe um modo de pensar que faz as disciplinas perderem o contorno. Que liga Pasolini a Coutinho, corta do imperialismo cultural ao cinema marginal brasileiro sem pedir permissão às fronteiras. Como uma caneta desmanipuladora, revela o que há de barbárie na cultura, os atavismos e microfascismos com que a linguagem culta (ainda que bem intencionada) acaba por nos enganar. Há de se criar as condições para fabular, para que novos conceitos emerjam. Este percurso reúne três aulas gravadas e dois encontros ao vivo. Passamos pelo discurso indireto livre, pela frustração do Cinema Novo, pela virada de Coutinho, até chegar em Bolaño e Sganzerla. O que antes era só intuição ganha contorno, você começa a nomear o que sempre sentiu estar ali.